Demanda Complementar: Produtor Rural, você pode estar perdendo dinheiro sem saber!

demanda de energia na area rural

Se você é produtor rural e sua unidade consumidora é atendida em média tensão, é importante prestar atenção em um detalhe que pode estar passando despercebido: a demanda complementar. Esse fator, muitas vezes ignorado, pode estar aumentando seus custos com energia elétrica sem que você perceba.

Muitas propriedades rurais operam com variações sazonais no consumo de energia. Ou seja, há períodos em que a demanda é maior e outros em que o uso cai significativamente. No entanto, se o contrato de energia não estiver alinhado com essa realidade, cobranças extras podem surgir. Por isso, entender como a demanda complementar funciona é essencial para evitar surpresas desagradáveis.

Afinal, o que é demanda complementar?

A demanda complementar é uma cobrança adicional que ocorre quando a unidade rural, classificada no Grupo A e reconhecida como sazonal, não atinge pelo menos três ciclos de faturamento com demandas iguais ou superiores às contratadas dentro de 12 meses consecutivos.

Essa cobrança existe porque a distribuidora precisa garantir o retorno sobre a infraestrutura elétrica disponibilizada, mesmo que o uso real da energia tenha sido baixo. Em outras palavras, se você contratou uma determinada demanda, mas não utilizou esse volume em pelo menos três meses no ano, ainda assim terá que pagar por ela.

Portanto, quanto mais você entender essa regra, mais chances tem de ajustar seu consumo e evitar cobranças desnecessárias.

Como a distribuidora calcula essa cobrança?

A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) determina que, a cada 12 ciclos de faturamento, a distribuidora analise se a unidade atingiu os três ciclos com demandas compatíveis com o contratado. Caso isso não aconteça, a cobrança da demanda complementar segue os seguintes critérios:

  1. A distribuidora considera separadamente os postos tarifários de ponta e fora de ponta;
  2. Em seguida, cobra a diferença entre a demanda contratada e a que foi registrada nos meses que ficaram abaixo do limite;
  3. Por fim, soma todas essas diferenças e adiciona o valor ao faturamento regular do período.

Dessa forma, se o consumo da sua propriedade rural for muito baixo em certos meses e não atingir os requisitos mínimos, você acaba pagando por uma energia que nem sequer utilizou.

Unidades sazonais: fique de olho no seu perfil de consumo

As unidades consumidoras sazonais, como muitas propriedades rurais, apresentam um padrão de consumo irregular ao longo do ano. Isso acontece principalmente em atividades como irrigação, secagem de grãos, ordenha mecanizada e uso de bombas hidráulicas.

Por esse motivo, quem atua no campo precisa conhecer bem sua rotina de consumo para não contratar mais do que realmente precisa. Além disso, quanto maior for a distância entre o consumo real e o contratado, maiores são as chances de pagar por algo que não foi utilizado.

Como evitar a cobrança da demanda complementar?

Agora que você já entende como funciona essa cobrança, o próximo passo é agir de forma estratégica. Existem algumas práticas simples que ajudam a manter sua conta sob controle e evitam surpresas no fim do mês. Veja a seguir:

1. Monitore seu consumo com regularidade

Acompanhar os dados mensais de consumo da sua propriedade ajuda a identificar padrões. Com essas informações em mãos, você consegue perceber rapidamente se a demanda contratada está sendo cumprida. Caso note que o consumo tem ficado abaixo do mínimo exigido, é hora de reavaliar o contrato com a distribuidora.

2. Solicite o ajuste da demanda contratada quando necessário

Se você perceber que a sua unidade tem baixa demanda durante parte do ano, pode solicitar a redução da demanda contratada. Essa solicitação deve ser feita junto à distribuidora, respeitando os prazos e regras definidos pela ANEEL. Isso evita que você continue pagando por uma demanda que não corresponde ao seu uso real.

3. Reorganize o uso dos equipamentos ao longo do ano

Nem sempre é possível manter o consumo constante. No entanto, em algumas propriedades, é viável redistribuir o uso de equipamentos de maior consumo de forma mais equilibrada entre os meses. Com isso, você aumenta as chances de cumprir os três ciclos exigidos e evita a cobrança complementar.

4. Esteja sempre atento às normas da distribuidora

Cada distribuidora pode ter regras específicas quanto ao reconhecimento da sazonalidade, mudanças contratuais e aplicação da demanda complementar. Por isso, é fundamental acompanhar as atualizações contratuais, ler atentamente os comunicados e tirar dúvidas sempre que necessário.

Conclusão

A energia elétrica representa um dos insumos mais relevantes na produção rural. Quando usada com inteligência, ela contribui para o aumento da produtividade. No entanto, sem o devido controle, pode se tornar um custo desnecessário.

A demanda complementar é um mecanismo que exige atenção. Embora esteja prevista na regulação, ela pode ser evitada com planejamento, análise do consumo e ajustes contratuais. Portanto, quanto mais informado você estiver, menor será o risco de pagar por algo que não foi usado.

Em resumo, gerencie bem o seu consumo, monitore seus contratos e aproveite ao máximo os recursos da sua propriedade. Não deixe que um detalhe técnico pese no seu bolso. Informação é lucro no campo!

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